Eu não gosto de ser inconveniente. De contar meus problemas ruins para outras pessoas, não gosto de me mostrar fraco, é isso, no fim é isso. Talvez esse seja o problema, já sou muito frágil por dentro. Vidro, eu diria. Pra quê cortar os outros? Pra quê? No fim prefiro deitar em minha cama, colocar o rosto rente ao travesseiro e debruçar-me ali. Chorar olhando para o guarda-roupas mofado pelas estrelas, chorar mirando a solidão escura e pálida, soluçar vendo os sonhos amontoados numa colcha velha e esquecida. Ando assim. Todas as noites; engolindo a seco a lágrima da minha alma. Mas como posso engolir o choro de algo que está em mim? Sei não, mas engulo, digiro e passo mal depois. Depois passa, a manhã vem, o dia sorri e eu colho flores. Me perguntam como estou e digo “estou normal, estou indo” e não, eu não quero uma ajuda… não gosto de incomodar.
Igor Pires (via poetas-suicidas)
(via poetas-suicidas)